Vadim Lavrusik
Vadim Lavrusik

Em abril de 2011 o Facebook anunciou duas coisas muito importantes para os jornalistas de todas as partes do mundo que utilizam a rede social:

  1. A contratação do ex-gerente de comunidade do blog Mashable, Vadim Lavrusik, para ocupar o cargo de gerente de programa jornalístico do Facebook;
  2. A criação da página Facebook and Journalists.

Na prática, isso quer dizer que a empresa está tentando turbinar a rede social para o uso de jornalistas, já que percebeu que desde 2010 houve um aumento de 300% no tráfego de referência por conta da ampliação do relacionamento entre Facebook e mídia.

14 maneiras de otimização de posts para jornalistas

E não é que Lavrusik já está tocando o “trem bala” jornalístico do Facebook com competência? Ele e o analista de dados, Cameron Betsy, divulgaram recentemente uma lista de informações que podem ajudar os jornalistas a escreverem posts mais relevantes e, assim, conquistarem mais retorno, feddback, em outras palavras, mais audiência.

O estudo realizado por essas duas feras leva em conta a maneira como o público estava se envolvendo com as páginas de alguns jornalistas no Facebook. Observe alguns dos resultados desse estudo:

  1. Uma pergunta: posts que incluem perguntas no título geram mais interação entre os leitores e, consequentemente, mais audiência;
  2. Várias perguntas: posts com várias perguntas recebem duas vezes mais comentários;
  3. Reflexões: posts com reflexões pessoais do jornalista recebem, em média, 20% mais audiência do que um post comum;
  4. Fotografias: posts que incluem fotografias e imagens recebem entre 50% e 65% mais comentários do que posts sem imagens ou figuras. Apesar disso, somente 10% das páginas analisadas no estudo possuiam imagens;
  5. Chamadas: posts com chamadas para dar uma olhadinha recebem 37% mais audiência do que um post comum;
  6. Algo mais: posts no qual o jornalista mostra que possui informações relevantes, isto é, que sabe algo mais que os outros, receberam 25% mais audiência que um post comum;
  7. Trocadilhos: posts com trocadilhos irreverentes receberam 18% mais audiência que um post comum;
  8. Mais conteúdo: posts jornalísticos com mais “toques” ou “caracteres”, isto é, que têm mais substância ou conteúdo, recebem mais audiência que outros tipos de posts comuns no Facebook. Em média, posts com quatro linhas têm aumento de 30% e posts com cinco linhas têm aumento de 60% de audiência em relação a um post comum. Contudo, posts com apenas uma linha são observados 15 vezes mais que um post comum;
  9. Educação: posts sobre educação têm duas vezes mais chance de cair no gosto do público;
  10. Política: posts sobre política receberam 60% mais comentários;
  11. Internacionais: posts com notícias internacionais tiveram 70% mais cliques;
  12. Dias da semana e comentários: os dias da semana nos quais os jornalistas obtiveram mais retorno em comentários foram as quintas e sextas-feiras, bem como o sábado e o domingo, sendo que o domingo recebeu 25% a mais feedback com uma média de 8% mais comentários;
  13. Cliques e dias da semana: Em relação aos cliques, os dias da semana mais clicados foram as quartas e quintas-feiras, e os sábados, sendo que as quartas-feiras receberam 37% mais cliques que a média de posts comuns, e os sábados tiveram 85% mais cliques;
  14. Períodos do dia: o período do dia que compreende 7h e 8h horas tiveram entre 30% e 40% mais feedback que posts comuns. O período das 10h recebeu feedback de 40%. O período entre 16h e 17h obteve retornos entre 40% e 100%. Já o tempo entre 0h e 2h recebeu retorno de 20%.
Facebook and Journalists, a página lançada em abril de 2011 conta com dicas e ferramentas para jornalistas
Facebook and Journalists, a página lançada em abril de 2011 conta com dicas e ferramentas para jornalistas

O valor-notícia e o Facebook

Para aqueles que ainda são focas (estudantes de jornalismo) o valor-notícia é um meio subjetivo de medir a importância de uma notícia e o impacto que ela poderá efetuar na sociedade. Os jornalistas usam o valor-notícia, ainda, para prever uma possível audiência. Isso acaba resultando num processo de escolha de notícias nas reuniões de pauta, uma vez que os jornalistas escolhem aquelas matérias que podem gerar mais leituras, mais audiência, mais feedback, exatamente como no Facebook.

A saber, o valor notícia está relacionado com fatores de impacto, fatores de empatia e fatores práticos:

  • Amplitude: quanto maior o número de pessoas relacionadas a um evento, maior a probabilidade dele ser noticiado;
  • Frequência: quanto maior o período de tempo de um evento, maior a probabilidade dele ser noticiado;
  • Negatividade: quanto mais impactante o evento, maior a probabilidade dele ser noticiado;
  • Inesperado: quanto mais inesperado for um evento, maior a probabilidade dele ser noticiado;
  • Implicações: quanto mais claras forem as implicações de um evento, maior a probabilidade dele ser noticiado;
  • Personalização: quanto maior o interesse humano de um evento, maior a probabilidade dele ser noticiado;
  • Significado: quanto maior for a proximidade geográfica de um evento, maior a probabilidade dele ser noticiado;
  • Elite: quanto maior for a referência de um evento a países de elite, maior a probabilidade dele ser noticiado;
  • Pessoas da elite: quanto maior for a referência de evento a pessoas da elite, maior a probabilidade dele ser noticiado;
  • Faro jornalístico: intuitivamente, um jornalista experiente pode prever um evento com grandes chances de ser noticiado;
  • Continuidade: são as chamadas suítes que, por sua vez, são o acompanhamento da resolução de eventos passados;
  • Composição: alinhamento e produção de matérias em editorias de forma equilibrada.
Os valores-notícia são os resquícios de um jornalismo analógico que podem ser aplicados a um jornalismo digital. Foto: SXC
Os valores-notícia são os resquícios de um jornalismo analógico que podem ser aplicados a um jornalismo digital. Foto: SXC

Pois bem. Por que eu estou escrevendo tudo isso? Porque o valor-notícia existe para que as notícias veiculadas possam ser mais lidas que as notícias dos jornais concorrentes. Se isso acontecer, o jornal vai atrair mais anunciantes, o que resultará em mais recursos. Pois é, não podemos esquecer que o jornalismo também é um negócio. Aliás, há uma séria discussão ética rolando nos bastidores sobre esse assunto, mas isso é outra história.

O fato é que se você, jornalista, souber agregar esse conjunto de valores-notícia ao estudo produzido pelo jornalista Vadim Lavrusik e seu colega analista do Facebook, Cameron Betsy, vai acabar se saindo mundo bem nos sites de relacionamento.

O que eu posso compreender a respeito do mundo dos jornalistas é que vocês são os formadores de opinião e a sua profissão é essencial para a sociedade e deve ser valorizada. Por exemplo, a sociedade que temos hoje, livre da ditadura, talvez não fosse possível sem a atuação de jornalistas corajosos como o próprio Vladimir Herzog, mártir da liberdade e do jornalismo.

Desde o fim da ditadura até aqui, a sociedade melhorou em alguns aspectos e piorou em outros, por isso, precisamos dos jornalistas para fazer a informação circular, para fazer com que as pessoas parem e reflitam sobre as condições em que vivem, para fazer com que a sociedade possa sair de uma estagnação mental improdutiva e retorne para o caminho do progresso. Não apenas o progresso tecnológico, mas o progresso humano.